segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Xô preconceito



E... De repente, eu estava andando na avenida, quando esbarro em uma loja de granfinos, daquelas com marcas de roupas estranhas (que você não sabe se ta te xingando ou te elogiando). Resolvi entrar, com toda caipiresa que meu sangue permite. Realmente, era só belezura de moça pra atender a clientela. Pareciam anjos (só pareciam mesmo).
Não sei se me acharam a bela adormecida ou a Fiona, só sei que toda galera me olhava, encarando meu jeitinho simples de ser (pra não falar outra coisa).  De pirracenta que sou, fui olhar algumas bobagens, coisas mínimas que você paga 3 meses de salário para usar uma vez. Comecei a juntar uma emboleira de roupas, bastante mesmo. Por fim, fui caminhar e pisei no vestido de seda. Coitado do vestido! Rasgou-se assim, tão facilmente, que pensei:- só pode ser pirata!
Uma daquelas bonequinhas que sorriem quando um babaca mostra a carteira foi me atender, ou melhor, me expulsar da lojinha.
-Peraê moça, eu quero comprar essas roupinhas aqui!
-Ô caipira, somando isso aqui, dá 4.987 reais. Ganhou na Mega-sena por acaso?Não tem dinheiro nem pra comprar comida, muito menos uma blusa dessa loja. Vai na 25 de março, é um conselho.
Gente, ninguém é de ferro. Concordam? Até eu, que sou tão paciente, me perturbei com aquele insulto. Arranquei minha carteira do bolso, tirei uns peixinhos e umas onças, totalizando 5.000 reais e joguei na cara daquela mal educada. Antes de sair, gritei em alto e bom som:
-Moça, pode ficar com o troco!



Autora: Michele Strey Frederico.

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