quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Doce amargo


Talvez eu esteja mais segura aqui,
Na montanha da solidão
Vendo, de certo, de alto, de perto,
Tua ingratidão.
E serás lembrada como um pesadelo,
Deveras que, por apelo,
Fizeste-me pisar descalço nos cactos
Do que te resta o caráter...
E ainda podes vê-lo?

Se sou ultrapassada por não cometer o delito
De desconfiar, seguindo sua invasão
mal-sucedida, do que se diz trapacear.
Teu castigo em me castigar
Não foi em vão.

E eu me levantarei
Como as cinzas perante o mais doce vento.
Mas não dissiparei.
Vou guardar aqui dentro
O concreto modelo do centro
De teu pensamento,
Aquele que carrega o cedro
Do martírio que não quero
E que presenciei.
Do qual fui vítima,
Vitimada por você.

Autora: Michele Strey Frederico.

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