quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Doce amargo


Talvez eu esteja mais segura aqui,
Na montanha da solidão
Vendo, de certo, de alto, de perto,
Tua ingratidão.
E serás lembrada como um pesadelo,
Deveras que, por apelo,
Fizeste-me pisar descalço nos cactos
Do que te resta o caráter...
E ainda podes vê-lo?

Se sou ultrapassada por não cometer o delito
De desconfiar, seguindo sua invasão
mal-sucedida, do que se diz trapacear.
Teu castigo em me castigar
Não foi em vão.

E eu me levantarei
Como as cinzas perante o mais doce vento.
Mas não dissiparei.
Vou guardar aqui dentro
O concreto modelo do centro
De teu pensamento,
Aquele que carrega o cedro
Do martírio que não quero
E que presenciei.
Do qual fui vítima,
Vitimada por você.

Autora: Michele Strey Frederico.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Aos inocentes culpados


“Ah, que vontade de voltar no tempo e fazer tudo diferente!
Deram-me a angústia da culpa, e retribui acreditando que era mesmo eu a culpada por ter perdido quem tanto amava.
Não estava no carro que capotou, não era o vírus que o destruiu em três meses, não me transformei em uma cascavel para picá-lo, não fabriquei a arma que rasgou seu peito em um tiroteio forjado, não deixei que tomasse o remédio vencido, nem fui a doutora da sua cirurgia mal sucedida, muito menos deixei de te amar para que criasse o monstro da depressão,
E mesmo assim, me cuspiram, me pisotearam...
Fizeram-me acreditar que todo o mal por qual passou teve meu pensamento contribuindo
Meu coração sorrindo
E minha vontade desejando a continuação de seu sofrimento.
Por tempos, para mim, séculos, estive a pensar nas noites, olhando as estrelas, pensando uma ser você.
E caia a chuva para os demais... Eram minhas lágrimas que desciam sem que eu percebesse. (Lembrava de quando imaginávamos árvores azuis, quando desejávamos um mundo sustentável,quando queria uma flor negra para jogar na corrupção, e me abraçava por tempos tão rápidos, mas tão especiais.)
Depois de perdida, fracassada,
Entendi que o mundo virava as costas para meu desespero porque não suportava minha felicidade ao lado de um grande amor,
Porque esse mundo é dos invejosos, dos infelizes, das máquinas esqueléticas programadas para o consumismo
Cujo amor foi empedrado e jogado no mais profundo abismo.
Ah, que vontade de voltar no tempo e fazer tudo diferente!
Eu não choraria ao ver nossas fotos,
Sentiria orgulho de ter vivido ao lado da verdade
E não me importaria com a opinião alheia...
Seria eu mesma
E mais nada.”
Se te culparam por não ser perfeita, não se preocupe, é porque eles queriam estar no seu lugar, vivendo a sua verdade.

Autora: Michele Strey Frederico

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Morte prematura


Um coração amargurado pela infelicidade perdeu sua cor devido um amor não bem-sucedido. Paixão imensa cercava seus olhares. Ósculos intensos molhavam um céu, ternura aparentemente interminável. O sol brilhava cada vez mais forte. A vontade de união prevalecia em meio a contrariedade paternal.
Se uniram, sem ato religioso, caos para familiares. Em sua noite de núpcias, uma champagne aberta, já sem espuma, espera-os. Entraram no quarto, encontraram a janela aberta, e nem assim se incomodaram.
No ápice do amor, o telefone dele toca. Sem se importar, guarda-o na escrivaninha que estava perto da cama. Mas o sexo feminino é muito desconfiado! O telefone toca novamente e ela, já irritada, atende. Uma voz feminina do outro lado da linha conta, em murmúrios, o detalhe que mudaria para sempre a vida daquela pobre mortal.
Havia uma traição, algo irreversível. O olhar, nebuloso, o coração, sem vida. Essa mulher, tomada de ódio, lança pela janela, com toda sua força, aquele a quem tanto amava.
Uma morte física e outra espiritual.

Autora: Michele Strey Frederico.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Qualidade desistente




Nada é tão inadmissível quanto vagar por um noturno repensar de intolerância e desagregação dos valores que geram uma sociedade e descobrir o já odiado e procriado desistir.

 Há quem diga ser o próximo hidrogênio terrestre, sem levantar seus sonhos e trilhar a sonoridade das sombras não alheias. Simplesmente observam o remoer dos destroços envolvendo sua paz, retrocedendo ao pretérito mais significante de suas almas.

Há quem ouça a mudez da própria lágrima, e esconde-a num degustar de palavras. E pensam futuramente no descongelamento de calotas amorosas. E só pensam, e não agem.

Há quem lance nas mãos desconhecidas a felicidade, e a perde. Então, singelamente, reúne o arranha céu e abraça as helicoidais de um momento metafórico, implorando pela demissão terrestre, voando ao centro do obscuro ou pegajoso fim.

Longe se mira o espelho que está próximo do próprio ego, refletido no acaso e no descaso, no tempo e na sua perca de tempo, na vida e na sua falta.

Deixe que se finde momentaneamente e naturalmente a tua existência, e se perpetue a excelência e magnitude de esperar e ter esperança, em ser e ter a exemplificação. Caia sorrindo, como quem vive o último respirar, e tenha sede em almejar a sobrevivência e própria valorização do ignorado, do diferente mais normal.

Mais valhe uma derrota sincera que uma vitória mentida, uma tentativa frustrada, porém, desenvolvedora de habilidades incomuns de paciência e persistência do que a ilusão de um conto de fadas, a perfeição inexistente.



Autora: Michele Strey Frederico

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Xô preconceito



E... De repente, eu estava andando na avenida, quando esbarro em uma loja de granfinos, daquelas com marcas de roupas estranhas (que você não sabe se ta te xingando ou te elogiando). Resolvi entrar, com toda caipiresa que meu sangue permite. Realmente, era só belezura de moça pra atender a clientela. Pareciam anjos (só pareciam mesmo).
Não sei se me acharam a bela adormecida ou a Fiona, só sei que toda galera me olhava, encarando meu jeitinho simples de ser (pra não falar outra coisa).  De pirracenta que sou, fui olhar algumas bobagens, coisas mínimas que você paga 3 meses de salário para usar uma vez. Comecei a juntar uma emboleira de roupas, bastante mesmo. Por fim, fui caminhar e pisei no vestido de seda. Coitado do vestido! Rasgou-se assim, tão facilmente, que pensei:- só pode ser pirata!
Uma daquelas bonequinhas que sorriem quando um babaca mostra a carteira foi me atender, ou melhor, me expulsar da lojinha.
-Peraê moça, eu quero comprar essas roupinhas aqui!
-Ô caipira, somando isso aqui, dá 4.987 reais. Ganhou na Mega-sena por acaso?Não tem dinheiro nem pra comprar comida, muito menos uma blusa dessa loja. Vai na 25 de março, é um conselho.
Gente, ninguém é de ferro. Concordam? Até eu, que sou tão paciente, me perturbei com aquele insulto. Arranquei minha carteira do bolso, tirei uns peixinhos e umas onças, totalizando 5.000 reais e joguei na cara daquela mal educada. Antes de sair, gritei em alto e bom som:
-Moça, pode ficar com o troco!



Autora: Michele Strey Frederico.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A palavra de hoje: SUPERAÇÃO



Você já se deu conta de estar acordada durante uma noite pensando em alguém que certamente nem se lembra de seu nome?
Não pense que estou falando de alguém que você conheceu em uma festa qualquer, por que esse não é meu foco. Estou apenas refletindo sobre aquela pessoa que te roubou o primeiro olhar da manhã com uma serenata improvisada no karaokê, que comprou uma bicicleta e pedalou contigo só porque VOCÊ insistiu que necessitava perder alguns quilinhos.
Somente relembro aquele dia em que recebeu via facebook a pergunta que seu coração desejava ter respondido há séculos: Quer namorar comigo?
 E os momentos mágicos que guarda em seu cofre, no interior mais misterioso de sua existência...
Agora me diga: Onde está aquele anjo que jurou amar-te, cuja promessa aceitaste, mesmo tendo um subconsciente acusando a fraude, a mentira?
Está abraçando seu travesseiro, confiando a ele suas amarguras, porque nada nem ninguém podem aliviar muito menos curar essa dor. E você está pensando nele neste exato momento, se preocupando com sua vida física e emocional, tendo a esperança de que ele ainda relembre seu nome quando a vir daqui 20 anos, porque mudou de país e não se despediu.
Sabemos que o amor também machuca, faz chorar, faz sofrer. E, porque sofrer?
Talvez este possa ser o seu último dia de vida (porque ninguém sabe do dia de amanhã), e é assim que deseja terminá-lo?
É preciso recomeçar. Por mais que seja difícil, não é impossível.
Beijos!

Homenagem á história



Ó sertão, por ti lutava lampião
Cangaceiro anti-fome e repressão.


Lei Áurea assinou
E aos escravos libertou.
Tem nome doce feito mel,
É a princesa Isabel.


Salário-mínimo e licença-maternidade
Deixa de ser promessa
E vira realidade
Quando assume o presidente Vargas.


Esse Brasil ainda é moço
Mas já tem história pra contar.
Uma delas foi a ditadura
Que proibiu-nos de sonhar,
Viver e amar.



Mas hoje é diferente
Somos mais valorizados
Somos a nação potente
Rumo a honra dos não desesperados.


 Autora: Michele Strey Frederico.