sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Qualidade desistente




Nada é tão inadmissível quanto vagar por um noturno repensar de intolerância e desagregação dos valores que geram uma sociedade e descobrir o já odiado e procriado desistir.

 Há quem diga ser o próximo hidrogênio terrestre, sem levantar seus sonhos e trilhar a sonoridade das sombras não alheias. Simplesmente observam o remoer dos destroços envolvendo sua paz, retrocedendo ao pretérito mais significante de suas almas.

Há quem ouça a mudez da própria lágrima, e esconde-a num degustar de palavras. E pensam futuramente no descongelamento de calotas amorosas. E só pensam, e não agem.

Há quem lance nas mãos desconhecidas a felicidade, e a perde. Então, singelamente, reúne o arranha céu e abraça as helicoidais de um momento metafórico, implorando pela demissão terrestre, voando ao centro do obscuro ou pegajoso fim.

Longe se mira o espelho que está próximo do próprio ego, refletido no acaso e no descaso, no tempo e na sua perca de tempo, na vida e na sua falta.

Deixe que se finde momentaneamente e naturalmente a tua existência, e se perpetue a excelência e magnitude de esperar e ter esperança, em ser e ter a exemplificação. Caia sorrindo, como quem vive o último respirar, e tenha sede em almejar a sobrevivência e própria valorização do ignorado, do diferente mais normal.

Mais valhe uma derrota sincera que uma vitória mentida, uma tentativa frustrada, porém, desenvolvedora de habilidades incomuns de paciência e persistência do que a ilusão de um conto de fadas, a perfeição inexistente.



Autora: Michele Strey Frederico

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