segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Aos inocentes culpados


“Ah, que vontade de voltar no tempo e fazer tudo diferente!
Deram-me a angústia da culpa, e retribui acreditando que era mesmo eu a culpada por ter perdido quem tanto amava.
Não estava no carro que capotou, não era o vírus que o destruiu em três meses, não me transformei em uma cascavel para picá-lo, não fabriquei a arma que rasgou seu peito em um tiroteio forjado, não deixei que tomasse o remédio vencido, nem fui a doutora da sua cirurgia mal sucedida, muito menos deixei de te amar para que criasse o monstro da depressão,
E mesmo assim, me cuspiram, me pisotearam...
Fizeram-me acreditar que todo o mal por qual passou teve meu pensamento contribuindo
Meu coração sorrindo
E minha vontade desejando a continuação de seu sofrimento.
Por tempos, para mim, séculos, estive a pensar nas noites, olhando as estrelas, pensando uma ser você.
E caia a chuva para os demais... Eram minhas lágrimas que desciam sem que eu percebesse. (Lembrava de quando imaginávamos árvores azuis, quando desejávamos um mundo sustentável,quando queria uma flor negra para jogar na corrupção, e me abraçava por tempos tão rápidos, mas tão especiais.)
Depois de perdida, fracassada,
Entendi que o mundo virava as costas para meu desespero porque não suportava minha felicidade ao lado de um grande amor,
Porque esse mundo é dos invejosos, dos infelizes, das máquinas esqueléticas programadas para o consumismo
Cujo amor foi empedrado e jogado no mais profundo abismo.
Ah, que vontade de voltar no tempo e fazer tudo diferente!
Eu não choraria ao ver nossas fotos,
Sentiria orgulho de ter vivido ao lado da verdade
E não me importaria com a opinião alheia...
Seria eu mesma
E mais nada.”
Se te culparam por não ser perfeita, não se preocupe, é porque eles queriam estar no seu lugar, vivendo a sua verdade.

Autora: Michele Strey Frederico

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