Enlace misto
Algo
sensacional, único e incerto. Este é o ser humano. Desde seu nascimento
deslumbra todas as forças da natureza, que concordam em achá-lo grande sabedor
das virtudes que lhe rodeia.
Para os que
teimam em deixar na história a marca de uma evolução constatada por macacos e
posteriormente humanos ou para os que acreditam na criação divina, é certo que
algo em comum pode ser observado, mesmo sem vínculo religioso. Em tempos
envelhecidos o início de uma sociedade não nômade tinha como marco principal a
distribuição de deveres em conformidade com a força de cada ser. Os produtos
obtidos eram repartidos entre aquela pequena forma de governo desgovernada.
Talvez o ódio fosse desconhecido, ou aquele sentimento sem explicação acabava
por passar despercebido por mentes que desejavam apenas sobreviver.
Mas a classe
humana tem aquela ânsia curiosa em saber cada vez mais, não poupando esforços em
realizar façanhas. É aqui que entra a diferença em relação aos outros animais:
a natureza humana é voltada para o pensamento. Logo, o que cada indivíduo é
resulta de suas ações, que moldam as conseqüências de seus atos.
Com o pensamento
o ser humano é capaz de criar uma linguagem própria, seja ela com palavras,
desenhos, símbolos, gestos e sons propriamente de herança pertencente apenas a
sua forma de nascimento. Interessantemente, é capaz de criar algo com essa
linguagem e traduzir de forma com que outros possam entender e até opinar sobre
sua escolha de apresentação, já que cada pessoa tem uma formação de conceito
diferente, o que tanto fascina pesquisadores.
Pensar é instantâneo,
nunca cessando, a não ser com a morte (o que pode caracterizá-la como limite do
pensamento, mesmo sendo improvável o que ocorre além—morte). Quando se pensa em
algo criado, se tem a capacidade de melhorá-lo mentalmente. Ao já criado por
alguém e entendido por outros, o passo a seguir é fazer com que este chegue as
mãos de outras pessoas.
Como já
mencionado, em tempos antigos o trabalho era desenvolvido sem movimento de
ganância ou superfaturação, visando a parte alimentável da vida e mais nada.
Com a ampliação do pensamento e abertura de fronteiras da imaginação, o que se
iniciou foi um trabalho mais árduo, criando propriedades privadas e a
desigualdade que hoje o lado ocidental denomina classes sociais.
Outros dois
fatores abordam a ação humana como centro da imagem que faz deste o que é.
Primeiramente a não agradável fase que se difunde pelo planeta defendendo o
trabalho como algo marciano, coisa alienígena necessária para a difusão da
felicidade consumista. Sim, como forma de desconto por tanto tempo de
sofrimento no trabalho se gasta o que têm e até o que não tem consumindo
desnessariamente, buscando a felicidade, outro fator que demonstra uma ação
unicamente humana.
A busca pela felicidade
sempre existiu, e vêm se desenvolvendo rapidamente. Anteriormente, ter
mantimento para uma semana já era considerado grande feito. Presentemente
nota-se insatisfação grandiosa por parte de toda espécie humanamente em
desenvolvimento tecnológico. Se conseguirem um carro querem um avião, depois
querem um tanque de guerra para aniquilar os “inimigos” da escola, do emprego e
até da família. Este pode ser considerado o ponto mais crítico do enlace entre
natureza humana, linguagem e trabalho. As pessoas procuram algo que já existe
nelas, mas que não querem aceitar.
O ser humano é
aquela coisa mais estranha que quer se entender e que nunca se entende.
Autora: Michele Strey Frederico.
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